Em 1962, Carlos Drummond de Andrade escreveu uma crônica em homenagem ao falecimento de Emanuel Dias, um pesquisador que trabalhou a vida toda no interior do Brasil combatendo a doença de Chagas. As palavras a seguir teriam sido ditas ao poeta pelo cientista:

Nós cientistas temos a sensibilidade recalcada pela constante obrigação de ser exatos, terra-a-terra, e em tudo quanto observamos e dizemos. Espiões e prisioneiros da realidade, somos como que seus amantes fidelíssimos e servis, incapazes de penetrar-lhes os mais íntimos segredos... Com os poetas é diferente. Fazem o que bem querem, ao sabor dos impulsos do momento. Criam a sua verdade. Saciam-se nas melhores perversões! Por isso é um lenitivo lê-los, dão-nos a impressão da liberdade.

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Date: 25 Jan 2018

Author: Leonardo Barichello

Tags:

português educação poesia


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