Saiu na Revista do Professor de Matemática 100 um texto meu sobre estudos matemáticos.

Estudos musicais são frequentemente utilizados por professores de música para que seus estudantes pratiquem certas técnicas ao mesmo tempo que tocam algo que tem algum valor estético, ao invés de ser apenas um exercício repetitivo. O componente estético dos estudos em música são tão relevantes que alguns destes ganharam vida para além das aulas e são executados por orquestras e músicos profissionais por conta de sua beleza e qualidade, como é o caso de alguns estudos criados por músicos como Chopin e Baden Powell.
Em matemática, o pesquisador britânico Dr. Colin Foster emprestou o termo do campo da música para se referir a questões focadas em promover a fluência com algum procedimento ou habilidade, como identificar divisores ou resolver equações lineares, através de uma questão matematicamente instigante (FOSTER, 2013). A intenção por trás do conceito de “estudo matemático” é reconhecer a importância da fluência com certos procedimentos admitindo que o uso de questões repetitivas pode ser pouco motivador para os estudantes.

A ideia é realmente simples e quem se interessou pode ler mais sobre ela no meu texto (na versão impressa, que pode ser comprada ou assinada no site da revista), nesse post do nrich (em inglês) ou nesse site dedicado exclusivamente a esse tema (em inglês).

O convite que faço no texto publicado e que estendo aqui a todos os professores de matemática interessados é replicar o resultado discutido em Foster (2017). Basicamente, o autor comparou o efeito de resolver uma lista de exercícios repetitivos e de trabalhar com um estudos matemático e concluiu que em termos de fluência ambos possuem o mesmo efeito. Porém, já que um estudo matemático tem potencial de ter outros efeitos "colaterais" (ligados a resolução de problema, motivação, etc), ele deveria ser preferido a uma lista de exercícios. Interessante, não?

A amostra do pesquisador foi de bom tamanho, mas com estudantes britânicos. Meu convite é: que tal replicarmos com estudantes brasileiros? Isso pode ser feito facilmente com uma aula em duas turmas de um mesmo ano em uma mesma escola. Topa? Se sim, entre em contato comigo por email (barichello @ gmail).

Referências

Foster, C. (2013). Mathematical études: Embedding opportunities for developing procedural fluency within rich mathematical contexts. International Journal of Mathematical Education in Science and Technology, 44(5), 765–774.

Foster, C. (2017). Developing mathematical fluency: Comparing exercises and rich tasks. Educational Studies in Mathematics. https://doi.org/10.1007/s10649-017-9788-x

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Date: 06 Jan 2020

Author: Leonardo Barichello

Tags:

português pesquisa educação matemática

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