Hypocrisy (hipocrisia)

18 Oct 2016 / Leonardo Barichello

(Português) Tirinha adaptada de www.malvados.com.br/index1162.html. Gostou? Leia mais em malvados.com.br.

tirinha

(English) Comic strip adapted from http://www.malvados.com.br/index1162.html. Enjoyed? Read more at malvados.com.br (in Portuguese).

tirinha

Ability setting na Inglaterra

29 Aug 2016 / Leonardo Barichello

Quando comecei meu doutorado na Universidade de Nottingham, em 2014, eu não sabia que a maioria das escolas inglesas agrupava os estudantes de acordo com a sua "habilidade" nas turmas de Matemática. Assim como eu não sabia, imagino que vários brasileiros não saibam também. Por isso este post. Nele, vou explicar como essa prática funciona com base em dois artigos e minha experiência em uma escola localizada em Nottingham.

A ideia por trás do ability setting (termo que manterei em inglês para reforçar que me refiro à prática comum na Inglaterra) é a de que agrupar (setting) os estudantes de acordo com notas obtidas em uma prova (supostamente ability) é benéfico para professores e estudantes. Documentos oficiais do ministério da educação e orgãos relacionados reforçam que, dessa forma:

  • os professores podem preparar aulas mais adequadas ao nível de seus estudantes;
  • os estudantes receberão instrução mais adequada ao seu nível de conhecimento.

Essa prática é especialmente comum em matemática e ocorre com mais frequência na escola secundária (dos 11 aos 16). Estimativas conservadores apontam algo em torno de 71% para a porcentagem de estudantes nessa faixa etária agrupados dessa maneira para as aulas de Matemática.

Em teoria, até pode fazer sentido. Porém, os problemas começam a aparecer quando olhamos para o que de fato vem ocorrendo nas escolas. Dunne et al (2011) mostra que. embora professores e coordenadores afirmem que a nota obtida em avaliações anteriores é o único critério utilizado para alocar estudantes:

social class was a significant predictor of set placement, such that pupils from lower socio-economic backgrounds had a higher probability of being placed in lower sets irrespective of prior attainment. Conversely, pupils from higher socio-economic status backgrounds were more likely to be assigned to higher sets and less likely to be assigned to lower sets.

E o mais importante: essa conclusão vale mesmo quando a análise estatística considera a nota obtida em avaliações anteriores.

Em um texto mais recente, Francis et al (2015), baseados em uma longa revisão de literatura sobre o tema, concluem que “the evidence suggests that overall these practices are not of significant benefit to attainment, with a negative impact for lower sets and streams”. Entretanto, mesmo assim, a prática é incentivada pelo govenrno e (segundo pesquisas) apoiada por professores.

Os autores tentam explicar esse aparente conflito (ou incapacidade das pesquisas de influenciar a opinião pública) através de uma análise do discurso inglês acerca de tópicos como educação e inteligência.

Se este post foi suficiente para atrair seu interesse para o tópico, sugiro a leitura da análise feita por Francis et al (2015).

Em conclusão, enquanto alguns países (como a Suécia) proíbem legalmente o ability settings, a INglaterra segue convicta da sua eficácia, mesmo com todas as evidências apontando que a prática não é benéfica. Eu, paricularmente, não me oporia à prática em princípio (acredito que, de fato, os dois benefícios citados no começo deste post podem ocorrer) mas, depois de conhecer a realidade inglesa, levantaria vários "poréns" e ficaria especialmente atento ao efeito discriminatório a que essa prática pode levar.

Referências

Dunne, M., Humphreys, S., Dyson, A., Sebba, J., Gallannaugh, F., & Muijs, D. (2011). The teaching and learning of pupils in low-attainment sets. The Curriculum Journal, 2 (4), 37–41.

Francis, B., Archer, L., Hodgen, J., Pepper, D., Taylor, B., & Travers, M. C. (2015). Exploring the relative lack of impact of research on ‘ability grouping’ in England: a discourse analytic account. Cambridge Journal of Education, 1-17.

Receita de welsh cakes (bolinho galês)

22 Jun 2016 / Leonardo Barichello

welsh cakes

imagem de www.drmz.co.uk

Talvez eu seja processado por isso, mas eu diria que o welsh cake é a versão galesa do scone. Mas o welsh cake não é comido com creme.

O que importa é que ambos são ótimas idéias para um café da tarde ou para um café da manhã mais generoso.

250g farinha de trigo
1 colher rasa de chá de fermento em pó
Pitada de sal
125g manteiga sem sal (fria)
75g açúcar refinado
50g uva passa (opcional)
1 ovo
3 colheres de leite

Misture a farinha, o fermento e o sal. Corte a manteiga em cubos sobre a mistura e amasse, esfregando com as pontas do dedo de modo que a mistura fique com uma textura "flocada".

Acrescente o açúcar. Bata o ovo com o leite em um copo e acrescente à mistura. Amasse um pouco. O resultado deve ser uma massa seca e firme, mas não quebradiça. Acrescente um pouco de leite se necessário.

Coloque a massa sobre uma superfície e abra até ficar com mais ou menos 0.5 cm de altura. Corte em círculos (eu corto com a faca sem me preocupar com o formato, só pra evitar o trabalho de juntar as beiradas no final, abrir e cortar denovo).

O welsh cake tradicionalmente é assado sobre uma pedra quente como se fosse frito, mas sem óleo. No meu fogão, eu deixo 5 minutos de cada lado em fogo baixa numa frigideira de fundo grosso. Você pode polvilhar um pouco de açúcar sobre eles antes de servir (coma quentinho!) ou apenas passar um pouco de geléia (minha opção favorita!).

Rende o suficiente para um café da tarde para umas 4 pessoas.



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