Uma experiência com KTurtle e probabilidade

16 Nov 2015 / Leonardo Barichello

O artigo Relato De Uma Experiência Com O Software KTurtle Na Simulação De Problemas Envolvendo Probabilidade relata uma série de aulas com alunos do Ensino Médio em que utilizamos o Kturtle para programar simuladores para problemas de probabilidade cuja interpretação, pelo menos à primeira vista, contraria a intuição.

Apesar de não ser um software muito conhecido, o Kturtle oferece um ambiente de programação baseado nos movimentos de uma tartaruga sobre uma tela plana. Mas além de permitir o desenho de padrões geométricos, o software também oferece quase todos os recursos de linguagens de programação convencionais, como condicionais, loop, variáveis e operações aritméticas. Com esses recursos, juntamente com o gerador de números aleatórios, é possível criar simuladores para experimentos aleatórios simples, como o lançamento de dados e moedas, ou mais sofisticados, como para o problema de Monty Hall.

No texto acima, eu apresento a experiência com o intuito de mostrar como programação de computadores pode ser utilizada no ensino de probabilidade e, reversamente, como probabilidade pode abrir portas para o ensino de programação de computadores.

Um ponto relacionado a essa série de aulas que não foi explorado no texto está relacionado com a credibilidade do computador como ferramenta para experimentação em matemática. Em breve postarei algo explicando melhor essa ideia, que talvez seja explorada em um artigo futuro.

Elza + SP (denovo)

10 Nov 2015 / Leonardo Barichello

Em 2002, Elza Soares lançou o álbum que me fez vê-la como muito mais do que uma sambista com voz poderosa: Do cóccix até o pescoço. Na minha opinião, ele entra em qualquer lista de melhores da música brasileira.

Há que se reconhecer que ela foi privilegiada com uma lista de composições de vários nomes de ponta da música brasileira, de Chico a Caetano, de Marcelo Yuka a Arnaldo Antunes, e vários outros. Porém, na minha opinião, não foram apenas as composições que fizeram deste um álbum único na carreira de Elza. Ouvindo o álbum de cabo a rabo é fácil perceber a versatilidade da cantora para interpretar em qualquer estilo: dançante, emocional, carinhoso, intenso e quase clássico. Além disso, os arranjos são muito sofisticados! Ainda hoje, toda vez que ouço o pandeiro em Dura na Queda ficou impressionado; o rap em Haiti parece perfeito para a música; a voz dela parece ter nascido pro tango em Bambino; o arranjo discreto de Dor de Cotovelo ficou perfeito sob a voz intensa de Elza.

Nesse ponto fica claro um ingrediente que me parece fundamental pra ter tornado este um trabalho tão bom: a direção "artística e filosófica" de José Miguel Wisnik. Pra quem conhece o trabalho de Wisnik, não é difícil identificar elementos aqui e acolá que entregam a sua influência no álbum todo. Curioso como a carioquíssima Elza foi atingir o seu auge (na minha opinião) sob a direção de um paulistano como Wisnik...

E eis que 13 anos depois surge o álbum assumidamente paulistano A mulher do fim do mundo, da mesma Elza Soares e com a mesma direção artística. Não para minha surpresa: adorei o álbum! Talvez as letras não sejam tão boas quanto as do anterior, mas ainda assim são muito boas. Os arrranjos (ruidosos e agressivos como quase toda música que descendeu da Vanguarda Paulistana) não são nem um pouco óbvios e a voz de Elza foi levada ao seu máximo em intensidade e versatilidade.

Além disso, a temática do álbum combina com a história de vida da Elza que, por sua vez, combina com a sua voz (quem teria vindo antes, a voz ou a vida?). Enfim, tudo isso junto resultou em mais um trabalho primoroso, muito além dos antigos cds de samba que, até são bacaninhas, mas não fazem jus a voz da cantora do milênio (segundo a BBC).

E pra quem quiser ouvir, pode de graça na Internet: A mulher do fim do mundo (Natura musical).

Porque a CPMF é uma péssima idéia

16 Sep 2015 / Leonardo Barichello

Recentemente vi circulando entre amigos de facebook com posicionamento político à esquerda uma imagem tentando justificar a volta da CPMF argumentando que quem gasta 1000 reais pagará apenas 2 reais de CPMF enquanto que quem gasta 1 bilhão pagará 2 milhões. No fundo, concordando com a infelizmente frase do Levy de que todos estariam dispostos a pagar um pouquinho pra salvar o país. As contas estão corretas, mas a conclusão está errada.

Primeiro, eu parto da premissa de que pessoas com maior renda deveriam pagar uma porcentagem maior do seus ganhos como impostos (por terem mais condições, contribuiram mais para o bem-estar social do todo). Na pior das hipóteses, essa porcentagem deveria ser igual pra todos. Porém, no Brasil (como já mostrei em outro post), quem ganha mais contribui percentualmente menos. Por conta da complexidade do nosso sistema tributário, não é fácil mostrar por a+b como isso acontece (já que impostos como o imposto de renda apontam na direção contrária). Porém, todos os textos que li sobre assunto apontam para a seguinte cadeia de consequências: uma família de baixa renda acaba gastando virtualmente todo o seu dinheiro em consumo pagando assim impostos indiretos, que são sabidamente muito altos no Brasil, enquanto que uma família de alta renda gasta apenas uma parcela da sua renda em consumo e investi o resto em, por exemplo, imóveis. E aí vem o problema: impostos sobre patrimônio são sabidamente baixíssimos no Brasil. Para agravar, outras ações típicas de famílias de alta renda também são pouquíssimo taxadas como, por exemplo, herança e divisão de lucros.

E é justamente por esse motivo que a CPMF é uma péssima idéia para contornar a crise: por ser um imposto indireto, atinge todos do mesmo jeito. Porém, famílias de alta renda investem parte substancialmente dos seus rendimentos em ações que desviam desse imposto (guardando nos bancos e suas mil-opções de aplicações). Resultado: acabam pagando percentualmente menos impostos do que famílias de baixa renda.

O que fazer então?

Na minha opinião, essa crise seria uma ótima oportunidade para corrigir o nosso sistema tributário bizarro através de:
- taxação de grandes fortunas;
- repensar impostos sobre propriedades e herança;
- taxação de lucros e dividendos (que também pode ser progressiva, de acordo com o tamanho da empresa);
- intensificação da fiscalização do imposto de renda;

Todas essas ações resultam em aumento na tributação, o que não é exatamente bacana pra população em geral. Minha sugestão seria o seguinte: 25% do aumento na arrecadação de impostos resultante da última sugestão aí de cima seria convertida em redução em impostos indiretos (especialmente sobre produts de primeira necessidade). Assim, quem sonega se foderia (por causa da maior fiscalização) e todos se beneficiariam. Equilibraríamos um pouco mais o nosso sistema tributário e até incentivaríamos o consumo.

Se é tão simples, porque a Dilma não faz isso?

Na minha opinião, Lula e Dilma deveriam ter feito isso quando seus governos estavam mais fortes. Mas não fizeram (provavelmente por restos de rabos presos aqui e acolá). hoje, esse congresso (que declarou guerra à presidente) jamais aprovaria uma medida dessas, por isso a Dilma nem arrisca e está preferindo ficar na mesmice (o que no Brasil significa jogar nas costas dos mais pobres). Uma pena! Se tivesse coragem de pelo menos fazer esse movimento, teria o meu respeito (e imagino que reconquistaria parte da simpatia das bases do partido e da parcela mais pobre da população) mesmo que perdesse.



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