Hypocrisy (hipocrisia)

18 Oct 2016 / Leonardo Barichello

(Português) Tirinha adaptada de www.malvados.com.br/index1162.html. Gostou? Leia mais em malvados.com.br.

tirinha

(English) Comic strip adapted from http://www.malvados.com.br/index1162.html. Enjoyed? Read more at malvados.com.br (in Portuguese).

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Linear number board games and low income young children’s numerical knowledge

21 Sep 2016 / Leonardo Barichello

The paper Promoting Broad and Stable Improvements in Low-Income Children’s Numerical Knowledge Through Playing Number Board Games explores the effect of playing linear number board games in young children’s numerical knowledge paying particular attention to the socio-economical status of the children.

The paper reports two experiments. The design of the first study is pretty straight forward: experimental design (randomized controlled trial) with a control group (playing a similar game with colours instead of numbers) taking into account age, achievement in a pre-test and socio-economic status as dependent variables and achievement in a post-test and delayed post-test as independent variables. The conclusion is that playing the linear number board games for as little as 1 hour (divided into 5 sessions) affected positively the results in the post-tests and these results remained statistically relevant after 9 weeks.

The second study had a different aim: investigate the correlation between playing linear number board games at home and results in the pre-test. The motivation behind this study is related to the perception that low-income students have less experience with some sort of activities at home that could affect positively their learning (such as linear number board games, as shown by the first study). The data came from the pre-test of the first study and from a self-report from the students considering some popular games for children. The authors confirmed the positive effect: students that reported playing games that could be considered a linear number board game presented higher scores in the pre-test.

The authors synthesizes their conclusion as follows:

All these findings converged on two conclusions. First, differing experience with board games is one source of the gap between the numerical knowledge of children from more and less affluent backgrounds when they enter school. Second, this gap can be reduced by providing children from low-income backgrounds experience playing number board games.

My questions would be:

  • Why linear number board games are not being widely adopted in pre-schools?
  • Why nobody is trying to replicate the results in different contexts?

In my opinion, this seems to be a study very replicable and with a great potential to impact classroom practices with relatively low costs. Therefore, it is hard to understand why it does not receive more attention from the academic community.

Reference

Ramani, Geetha B., and Siegler, Robert S. . "Promoting broad and stable improvements in low‐income children’s numerical knowledge through playing number board games". Child development 79.2 (2008).

Ability setting na Inglaterra

29 Aug 2016 / Leonardo Barichello

Quando comecei meu doutorado na Universidade de Nottingham, em 2014, eu não sabia que a maioria das escolas inglesas agrupava os estudantes de acordo com a sua "habilidade" nas turmas de Matemática. Assim como eu não sabia, imagino que vários brasileiros não saibam também. Por isso este post. Nele, vou explicar como essa prática funciona com base em dois artigos e minha experiência em uma escola localizada em Nottingham.

A ideia por trás do ability setting (termo que manterei em inglês para reforçar que me refiro à prática comum na Inglaterra) é a de que agrupar (setting) os estudantes de acordo com notas obtidas em uma prova (supostamente ability) é benéfico para professores e estudantes. Documentos oficiais do ministério da educação e orgãos relacionados reforçam que, dessa forma:

  • os professores podem preparar aulas mais adequadas ao nível de seus estudantes;
  • os estudantes receberão instrução mais adequada ao seu nível de conhecimento.

Essa prática é especialmente comum em matemática e ocorre com mais frequência na escola secundária (dos 11 aos 16). Estimativas conservadores apontam algo em torno de 71% para a porcentagem de estudantes nessa faixa etária agrupados dessa maneira para as aulas de Matemática.

Em teoria, até pode fazer sentido. Porém, os problemas começam a aparecer quando olhamos para o que de fato vem ocorrendo nas escolas. Dunne et al (2011) mostra que. embora professores e coordenadores afirmem que a nota obtida em avaliações anteriores é o único critério utilizado para alocar estudantes:

social class was a significant predictor of set placement, such that pupils from lower socio-economic backgrounds had a higher probability of being placed in lower sets irrespective of prior attainment. Conversely, pupils from higher socio-economic status backgrounds were more likely to be assigned to higher sets and less likely to be assigned to lower sets.

E o mais importante: essa conclusão vale mesmo quando a análise estatística considera a nota obtida em avaliações anteriores.

Em um texto mais recente, Francis et al (2015), baseados em uma longa revisão de literatura sobre o tema, concluem que “the evidence suggests that overall these practices are not of significant benefit to attainment, with a negative impact for lower sets and streams”. Entretanto, mesmo assim, a prática é incentivada pelo govenrno e (segundo pesquisas) apoiada por professores.

Os autores tentam explicar esse aparente conflito (ou incapacidade das pesquisas de influenciar a opinião pública) através de uma análise do discurso inglês acerca de tópicos como educação e inteligência.

Se este post foi suficiente para atrair seu interesse para o tópico, sugiro a leitura da análise feita por Francis et al (2015).

Em conclusão, enquanto alguns países (como a Suécia) proíbem legalmente o ability settings, a INglaterra segue convicta da sua eficácia, mesmo com todas as evidências apontando que a prática não é benéfica. Eu, paricularmente, não me oporia à prática em princípio (acredito que, de fato, os dois benefícios citados no começo deste post podem ocorrer) mas, depois de conhecer a realidade inglesa, levantaria vários "poréns" e ficaria especialmente atento ao efeito discriminatório a que essa prática pode levar.

Referências

Dunne, M., Humphreys, S., Dyson, A., Sebba, J., Gallannaugh, F., & Muijs, D. (2011). The teaching and learning of pupils in low-attainment sets. The Curriculum Journal, 2 (4), 37–41.

Francis, B., Archer, L., Hodgen, J., Pepper, D., Taylor, B., & Travers, M. C. (2015). Exploring the relative lack of impact of research on ‘ability grouping’ in England: a discourse analytic account. Cambridge Journal of Education, 1-17.



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