Elza + SP (denovo)

10 Nov 2015 / Leonardo Barichello

Em 2002, Elza Soares lançou o álbum que me fez vê-la como muito mais do que uma sambista com voz poderosa: Do cóccix até o pescoço. Na minha opinião, ele entra em qualquer lista de melhores da música brasileira.

Há que se reconhecer que ela foi privilegiada com uma lista de composições de vários nomes de ponta da música brasileira, de Chico a Caetano, de Marcelo Yuka a Arnaldo Antunes, e vários outros. Porém, na minha opinião, não foram apenas as composições que fizeram deste um álbum único na carreira de Elza. Ouvindo o álbum de cabo a rabo é fácil perceber a versatilidade da cantora para interpretar em qualquer estilo: dançante, emocional, carinhoso, intenso e quase clássico. Além disso, os arranjos são muito sofisticados! Ainda hoje, toda vez que ouço o pandeiro em Dura na Queda ficou impressionado; o rap em Haiti parece perfeito para a música; a voz dela parece ter nascido pro tango em Bambino; o arranjo discreto de Dor de Cotovelo ficou perfeito sob a voz intensa de Elza.

Nesse ponto fica claro um ingrediente que me parece fundamental pra ter tornado este um trabalho tão bom: a direção "artística e filosófica" de José Miguel Wisnik. Pra quem conhece o trabalho de Wisnik, não é difícil identificar elementos aqui e acolá que entregam a sua influência no álbum todo. Curioso como a carioquíssima Elza foi atingir o seu auge (na minha opinião) sob a direção de um paulistano como Wisnik...

E eis que 13 anos depois surge o álbum assumidamente paulistano A mulher do fim do mundo, da mesma Elza Soares e com a mesma direção artística. Não para minha surpresa: adorei o álbum! Talvez as letras não sejam tão boas quanto as do anterior, mas ainda assim são muito boas. Os arrranjos (ruidosos e agressivos como quase toda música que descendeu da Vanguarda Paulistana) não são nem um pouco óbvios e a voz de Elza foi levada ao seu máximo em intensidade e versatilidade.

Além disso, a temática do álbum combina com a história de vida da Elza que, por sua vez, combina com a sua voz (quem teria vindo antes, a voz ou a vida?). Enfim, tudo isso junto resultou em mais um trabalho primoroso, muito além dos antigos cds de samba que, até são bacaninhas, mas não fazem jus a voz da cantora do milênio (segundo a BBC).

E pra quem quiser ouvir, pode de graça na Internet: A mulher do fim do mundo (Natura musical).

Leminskanções

27 Jul 2015 / Leonardo Barichello

Já faz um tempo que, buscando informações sobre a obra de Paulo Leminsky na internet, trombei com o álbum Leminskanções (disponível para download gratuito no site). Depois de ouvir esparsamente as faixas que eu já conhecia (na voz de outros intérpretes), comecei a dar atenção ao álbum completo e gostei muito do material!

A banda (montada especialmente para esse projeto) é boa. Os arranjos não são difíceis, mas também não são óbvios. Para os meus ouvidos, soam muito como os descendentes menos marginais da Vanguarda Paulistana, como Tulipa Ruiz, Terno, Blubell, etc. Mas o diferencial do álbum está mesmo nas letras. Várias delas são realmente boas, como Diversonagens Surpersas:

Ao contrário do que se poderia imaginar, não se trata de poemas musicados, mas de letras concebidas por Leminsky para serem músicas. Inclusive, algumas delas já tinham sido gravadas por outros artistas como Verdura (por Caetano Veloso), Dor Elegante (por Itamar Assumpção e Zélia Duncan), Luzes (por Arnaldo Antunes) entre outras.

Com certeza é um álbum que vale a pena ouvir.

Duas versões: Moanin

22 Apr 2015 / Leonardo Barichello

Para relembrar os velhos tempos, um post com duas versões de uma mesma música. A música escolhida foi um clássico do jazz, Moanin, composta pelo pianista Bobby Timmons.

Primeiro, a versão original, gravada em 1958 no álbum homônimo de Art Blakey and the Jazz Messengers:

A segunda versão é de Charles Mingus, grava em 1960 no álbum Blues and Roots.

No começo, a conexão com a versão original não é muito clara, até porque o que parece ser o rife da segunda não bate claramente com o rife da primeira. Mas a medida que a música evolui a ligação vai ficando mais clara. Gosto muito da energia dessa segunda versão!

Também versões vocalizadas para essa música, mas prefiro de longe essas duas instrumentais.



1 2 next ... end

Search

Tags

english português música poesia coffee Ireland mathematics education café music movie opinion duas versões two versions research methodology recipe política matemática opinião nottingham visualization linux food educação programação receita comida viagem arte educação matemática beer libreoffice amsterdam pesquisa free software video