Leminskanções

27 Jul 2015 / Leonardo Barichello

Já faz um tempo que, buscando informações sobre a obra de Paulo Leminsky na internet, trombei com o álbum Leminskanções (disponível para download gratuito no site). Depois de ouvir esparsamente as faixas que eu já conhecia (na voz de outros intérpretes), comecei a dar atenção ao álbum completo e gostei muito do material!

A banda (montada especialmente para esse projeto) é boa. Os arranjos não são difíceis, mas também não são óbvios. Para os meus ouvidos, soam muito como os descendentes menos marginais da Vanguarda Paulistana, como Tulipa Ruiz, Terno, Blubell, etc. Mas o diferencial do álbum está mesmo nas letras. Várias delas são realmente boas, como Diversonagens Surpersas:

Ao contrário do que se poderia imaginar, não se trata de poemas musicados, mas de letras concebidas por Leminsky para serem músicas. Inclusive, algumas delas já tinham sido gravadas por outros artistas como Verdura (por Caetano Veloso), Dor Elegante (por Itamar Assumpção e Zélia Duncan), Luzes (por Arnaldo Antunes) entre outras.

Com certeza é um álbum que vale a pena ouvir.

Poema(s) de sete faces

08 Apr 2015 / Leonardo Barichello
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

Esses são os primeiros versos do Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1930. Infelizmente, não conheço registro do poema na voz do autor, mas a leitura abaixo vale a pena:

Independentemente da beleza (incontestável) dos versos, acho interessante como eles se tornaram presentes no imaginário popular brasileiro. Na música, a ideia de um destino (torto) traçado por um anjo (ou algo equivalente) já no momento do nascimento é bastante comum. Particularmente, gosto de três referências.

1) A clássica Até o fim, de Chico Buarque.

2) Agora algo bem menos conhecido, mas mais forte na minha opinião: Let's play that, de Jards Macalé

3) As duas anteriores são até que óbvias, mas a referência vai muito mais longe do que isso e chega até os sotaques nordestinos com Siba na música Pisando em praça de guerra:

A formiga e a cigarra

24 Feb 2015 / Leonardo Barichello

Todo mundo conhece a fábula da formiga e da cigarra, escrita originalmente por La Fontaine no século XVII, certo?!

Alguns anos atrás, Itmara Assumpção compôs essa pérola inspirada na fábula anterior.

Por pedido meu, meu amigo Will escreveu uma nova versão da fábula, com um toque itamariano e olha só o que saiu.

A Formiga e a Cigarra

De grão em grão, seguindo a fila
uma multidão e ninguém se esbarra
É incrível a organização das formigas
Bem diferente da lerda amiga Cigarra

Que tem infinito amor pelo canto
gastando nele toda sua energia
E quando se fala em trabalho
parece despertar uma certa alergia

A Formiga sabe que o frio do inverno,
para a amiga Cigarra, não irá sorrir
E no tempo congelante e solitário
É certo que, ajuda, ela virá pedir

Mas esta vida é cheia de surpresas
e surge um convite de outro país:
"Excelentíssima Senhorita Cigarra
aceita vir cantar em Paris?"

Quase sem se conter de emoção,
a Cigarra foi arrumar sua bagagem
E, então, procura sua amiga Formiga
para contar-lhe sobre sua viagem:

"Formiga, minha amiga Formiga
estou indo cantar na França!
Me diga o que quer de lá
que lhe trago de lembrança"

A formiga a olhou, respirou fundo...
E só pediu uma coisa à amiga lerda:
"Quando na França estiver, Cigarra,
mande o tal La Fontaine à merda!"



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