pensamento computacional na Educação Básica

19 Feb 2020 / Leonardo Barichello

Em janeiro de 2020 saiu o livro Pensamento Computacional na Educação Básica foi publicado em janeiro de 2020 pelo grupo a para o qual eu contribui com um capítulo.

capa do livro

O livro é dividido em três partes: Fundamentos, Pesquisas e Relatos de Experiência.

A primeira delas, Fundamentos, é a mais curta mas cumpre muito bem o papel a que se propôs: estabelecer os conceitos fundamentais para todo o livro (capítulos 1 e 2) e discutir o panorama nacional e mundial sobre o tema (capítulos 3 e 4). Os quatros textos são boas referências se o que você busca são definições e caracterizações claras e objetivas.

A segunda parte, Pesquisas, é a mais fraca, na minha opinião. Traz oito capítulos que, no fringir dos ovos têm mais valor pelo relato das experiências conduzidas do que por aspectos que de fato os aproximariam de pesqusias acadêmicas (aprofundamento teórico, aspectos metodológicas ou resultados que possam ser usados por outros pesquisadores). Isso não é inesperadao, dado que essa área ainda é jovem, mas é inevitável, ao ler esses capítulos, de que se está lendo um relato com pretensões acadêmicas um tanto ingênuas.

A terceira parte, Relatos de Experiência, é a que ocupa a maior parte do livro. A qualidade, o conteúdo e o formato dos textos dessa parte variam muito, mas isso não compromete a proposta de ser uma coleção de relatos. Na verdade, talvez seja a diversidade que faça dessa parte o ponto alto do livro todo (junto com os dois primeiros capítulos). No final das contas, os relatos acabam oferecendo ao leitor uma variedade grande de possibilidades que acabam por ser inspiradoras, mesmo que o objetivo do leitor seja um pouco diferente do relato em si. Além disso, por serem relatos, os textos são menos pretensiosos do ponto de vista teórico, o que torna a leitura muito mais acessível.

É nessa terceira parte que está o meu texto, entitulado Programação de computadores em Scratch por meio de jogos. Nele, relato a experiência de uma oficina de programação de computadores que ofereci para estudantes dos últimos anos do Ensino Fundamental em uma escola particular. O mote das aulas era a criação de jogos e a plataforma usada foi o Scratch. Além do texto, todos os projetos estão disponíveis online em scratch.mit.edu/studios/271650.

Se você é professor, eu recomendo o livro como uma fonte de inspiração, especialmente ao longo da terceira parte.

Se você é pesquisador, a primeira parte merece atenção por ter sido bem sucedida em estabelecer o significado de algum termos comuns na área, como "pensamento computacional".

Estudos Matemáticos e um convite para uma pesquisa coletiva

06 Jan 2020 / Leonardo Barichello

Saiu na Revista do Professor de Matemática 100 um texto meu sobre estudos matemáticos.

Estudos musicais são frequentemente utilizados por professores de música para que seus estudantes pratiquem certas técnicas ao mesmo tempo que tocam algo que tem algum valor estético, ao invés de ser apenas um exercício repetitivo. O componente estético dos estudos em música são tão relevantes que alguns destes ganharam vida para além das aulas e são executados por orquestras e músicos profissionais por conta de sua beleza e qualidade, como é o caso de alguns estudos criados por músicos como Chopin e Baden Powell.
Em matemática, o pesquisador britânico Dr. Colin Foster emprestou o termo do campo da música para se referir a questões focadas em promover a fluência com algum procedimento ou habilidade, como identificar divisores ou resolver equações lineares, através de uma questão matematicamente instigante (FOSTER, 2013). A intenção por trás do conceito de “estudo matemático” é reconhecer a importância da fluência com certos procedimentos admitindo que o uso de questões repetitivas pode ser pouco motivador para os estudantes.

A ideia é realmente simples e quem se interessou pode ler mais sobre ela no meu texto (na versão impressa, que pode ser comprada ou assinada no site da revista), nesse post do nrich (em inglês) ou nesse site dedicado exclusivamente a esse tema (em inglês).

O convite que faço no texto publicado e que estendo aqui a todos os professores de matemática interessados é replicar o resultado discutido em Foster (2017). Basicamente, o autor comparou o efeito de resolver uma lista de exercícios repetitivos e de trabalhar com um estudos matemático e concluiu que em termos de fluência ambos possuem o mesmo efeito. Porém, já que um estudo matemático tem potencial de ter outros efeitos "colaterais" (ligados a resolução de problema, motivação, etc), ele deveria ser preferido a uma lista de exercícios. Interessante, não?

A amostra do pesquisador foi de bom tamanho, mas com estudantes britânicos. Meu convite é: que tal replicarmos com estudantes brasileiros? Isso pode ser feito facilmente com uma aula em duas turmas de um mesmo ano em uma mesma escola. Topa? Se sim, entre em contato comigo por email (barichello @ gmail).

Referências

Foster, C. (2013). Mathematical études: Embedding opportunities for developing procedural fluency within rich mathematical contexts. International Journal of Mathematical Education in Science and Technology, 44(5), 765–774.

Foster, C. (2017). Developing mathematical fluency: Comparing exercises and rich tasks. Educational Studies in Mathematics. https://doi.org/10.1007/s10649-017-9788-x

minha experiência com o eelo, ou /e/

11 Dec 2019 / Leonardo Barichello

No começo do ano decidi dar uma chance ao sistema operacional eelo ou /e/ no meu celular. Trata-se de um sistema derivado do android que se esforça ao máximo para diminuir a dependência de serviços google.

logo da /e/

Por alguns anos eu usei o lineage no meu celular, mas este sistema, que e uma tentativa de tornar o android um pouco mais open source, não oferece diretamente muitos recursos para quem quer evitar o google, por isso quis dar uma chance para o /e/. A principal diferença, sob o meu ponto de vista, é que este oferece não apenas um sistema operacional, mas uma série de serviços independentes e já devidamente instalados e integrados ao sistema. Isso facilita muito para quem quer diminuir a dependência de serviços google, mas não tem conhecimento técnico ou tempo suficiente para procurar por soluções para os tantos serviços que tipicamente se espera de um celular atualmente.

No meu caso, os serviços que preciso não são muitos: e-mail, contatos, agenda, sincronização mínima de arquivos, mapas, aplicativo de transporte, navegador, leitor de rss e whatsapp e player de música com navegação por pasta. Como bônus, também gostaria de ter um bom aplicativo para notas, alguns aplicativos comerciais bobos, como untappd e vivino, e o internet banking do Banco do Brasil.

Não vou entrar nos detalhes da instalação (em um Samsung S7), mas conseguir fazer sem nenhuma dificuldade seguindo as orientações do site do /e/. De cara, instalei alguns aplicativos open-source pelo f-droid e outros comerciais pelo Apps, um aplicativo que disponibiliza alguns apps da play store por fora dela. Fiquei muito empolgado com essa última ferramenta, mas logo me decepcionei: só alguns aplicativos estão disponíveis por lá (mais populares internacionalmente) e alguns deles estão um pouco desatualizados (como o Uber, que simplesmente não funcionava). Isso me frustrou muito.

Porém, depois de um tanto de pesquisas, descobri a Aurora Store, um outro aplicativo que se conecta a Play Store e permite baixar (aparentemente) todos os seus aplicativos na versão corrente. Infelizmente, a versão disponível no f-droid não é a mais atual e tive que baixar uma versão manualmente e essa sim funcionou brilhantemente bem!

Nesse momento, tenho todos os aplicativos que queria funcionando e pouco a pouco vou removendo os ligados ao google e substituindo por opções open source. Não uso mais Gmail, Calendar e Google Photos. Ainda uso o Google Maps, mas sem login (0o que diminiui a possibilidade de captação de dados) e a minha grande descoberta foi o NextCloud.

logo da nextcloud

Essa foi uma bela sacada do /e/: um serviço open source e com política de uso de dados muito boa para armazenamento em nuvem que sincroniza contatos, calendário, arquivos e oferece serviço de e-mail. Funciona de fundo, sem incomodar, e permite a sincronização invisível com desktop através de clientes que rodam nativamente em Linux. Por enquanto, eu tenho gostado muito do pacote oferecido quando você cria um usuário /e/. Recomendo muito! Troque o seu dropbox (cada vez mais comercial e menos amigável com linux) por um NextCloud!

Em breve posto uma lista de aplicativos que valem a pena usar no /e/.

feito com LibreOffice

28 Nov 2019 / Leonardo Barichello

Ainda me impressiona o quanto as pessoas e instituições não usam LibreOffice maciçamente. Por conta disso, sempre que tenho uma chance tento reforçar o fato de utilizá-lo ao invés de opções proprietárias piores, caras e fechadas. Uma das maneiras é sempre incluir como anexo o arquivo original (ODT, ODS, ODP ou afins) junto com a versão PDF ou convertida para o formato proprietário padrão. Outra é incluir no rodapé das minhas apresentações um selinho indicando o software utilizado e esse é o motivo deste post.

Como não conheço nenhum selo feito especificamente pra isso, criei a imagem abaixo baseada na versão flat do logo do LibreOffice. Você pode baixar a versão svg aqui e a versão png aqui.

Eu gosto de ficar variando o método de criar slides indo de extremos como o pandoc até anotações manuais, mas sempre que faço com o LibreOffice incluo essa imagem no último slide. Fique à vontade para usar também :)



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