Uma discussão sobre métodos quantitativos

28 Nov 2018 / Leonardo Barichello

Matthew Inglis, pesquisador em educação matemática pela Universidade de Loughborough, escreveu uma resenha do livro The trials of evidence-based education: the promises, opportunities and problems of trials in education recentemente publicado por Stephen Gorard, um dos pesquisadores em educação mais fartamente financiados no Reino Unido atualmente.

Gorard é um forte crítico das pesquisas em educação em geral e tem uma postura muito pragmática, que resulta em artigos com poucos apronfundamentos teóricos e filosóficos e focados em questões do tipo "what works". Entretanto, a sua atuação também é questionada entre acadêmicos como sendo superficial e suas criticas como sendo vazias, por não oferecerem alternativas convincentes.

Inglis é um pesquisador muito versátil em termos de métodos. Em sua maioria, seus artigos usam métodos quantitativos mas nem sempre seguindo o design experimental. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e fiquei surpreso com o seu conhecimento e sua atitude inclusiva frente a diferentes abordagens de pesquisa.

Na revisão, Inglis critica fortemente as posições de Gorard que, neste livro, atacamente com ferocidade um tanto desproporcional as pesquisas em educação que usam métodos quantitativos. A parte que me chamou atenção no texto, na verdade, são as explicações que Inglis oferece ao rebater os argumentos colocados por Gorard em seu livro. Inglis oferece algumas interpretações muito claras e elucidativas para certas práticas experimentais e, aparentemente sem querer, acaba ensinando muito sobre o tópico. Uma leitura muito recomendada!

um passeio em Sevilha

13 Nov 2018 / Leonardo Barichello

Há algum tempo atrás visitei Sevilha por três dias e achei a cidade muito legal. Não tão chamativa quanto Barcelona e com uma sensação menos turística do que os destinos típicos da Europa, mas ainda bem interessante. Essa impressão talvez seja um pouco enviesada por ter ido fora de temporada, mas isso não tenho como avaliar.

Os dois pontos altos da cidade são o Palácio Real Alcazar, com seu visual mouro...

e um classico de toda cidade espanhola ou de colônias espanholas, a Piazza de Spagna.

Além destes, o Metropol Parasol, apesar de bastante peculiar, certamente vale a visita.

Em termos de comida, fiquei muito impressionado com a lista de tapas clássicas da cidade. Esqueça as patatas bravas ou tábuas de presuntos e queijos e se esbalde com cola de toro (rabada), prove o simples mas saboroso Espinacas con garbanzos (espinafre com grão de bico) e o tenro solomillo (algum corte de porco frito). Mas como em qualquer cidade, a qualidade varia muito de lugar pra lugar, então seguem minhas duas recomendações.

El Rinconcillo: um bar que alega ser o mais antigo de Sevilha, por isso é um tanto movimentado e até um pouco turístico. Tem a parte restaurante no andar de cima e a parte bar no térreo. Vale a pena ficar em pé e comer no balcão pra curtir o clima da parte de baixo, com certeza! Tome vinhos por taça e aproveite a orportunidade para testar diferentes estilos.

Antigua Abacería de San Lorenzo: um restaurante pequeno, com jeitão super antigo mas com uma comida realmente fabulosa! Esqueça suas preferências e vá no que a atendente recomendar. O prato que mais agradou a gente foi uma salada de batata com maionese e camarão; parece besta, mas estava delicioso!

meu voto: Haddad

24 Oct 2018 / Leonardo Barichello

Há alguns dias antes do segundo turno, decidi tornar público meu voto: Haddad.

Demorei tanto por que não tenho orgulho dessa escolha. Preferiria um segundo turno entre praticamente qualquer um dos outros candidatos do que entre Bolsonaro e Haddad.

Minhas razões para votar no Haddad são de dois tipos: simbólicas e baseadas na mensagem geral por trás de suas propostas.

A razão simbólica eu não vou desenvolver aqui em detalhes, mas sugiro a leitura do texto do Papo de Homem do qual extraio a seguinte síntese:

Compreendemos a profunda desilusão com o PT e o sistema político como um todo, da qual compartilhamos.
Não consideramos Bolsonaro um monstro. Nem achamos que ele sai pela rua agredindo fisicamente mulheres ou pessoas gays.
Ele provavelmente deseja que o Brasil prospere, assim como Haddad, Manuela d'Ávila e demais candidatos.
Mas o consideramos inadequado para ser presidente de nosso país. Não queremos ser governados por um homem que ameaça tomar o poder militarmente e se orgulha de homenagear torturadores.

Apesar de simbólica, essas razões são sim muito importantes. Além disso, esse texto do Nexo mostra como Haddad fez uma auto-crítica a alguns pontos relevantes contra o seu partido ao longo da sua campanha. Mais uma vez, um gesto simbólico, mas não por isso menos importante.

No que se refere a propostas, não concordo com todas as de Haddad (por exemplo, discordo de continuarmos a ampliar o plano de interiorização das universidade públcias sem antes avaliar o êxito das tentativas em andamento) e nem discordo de todas as do Bolsonaro (por exemplo, concordo com a expansão do ensino técnico). Uma análise item a item é difícil, lenta e pode se tornar extremamente técnica, mas há duas mensagens que saltam do conjunto das propostas de Bolsonaro que considero muito ruins.

  1. Educação: Bolsonaro parece acreditar em políticas de privatização como solução para a educação brasileira, como os vouchers ("vales" que os pais podem usar pra pagar escola particular para os filhos). A experiência americana mostra que essa estratégia é um fiasco. Além disso, uma olhada nos líderes em educação no mundo mostra que uma das poucas semelhanças é a dominância quase absoluta da educação pública e igual para todos. Em diversos casos, como Finlância e Coréia do Sul, o governo chegou a estatizar a educação para garantir que todos tivessem acesso e participassem da mesma educação. Portanto, não voto em quem defende ideias privatizantes para a educação.
  2. Impostos: como já discuti neste post, o Brasil cobra impostos regressivamente, ou seja, quem ganha menos paga proporcionalmente mais. Isso é resultado, essencialmente, da forte carga tributária indireta (imposto embutidos em produtos e serviços) quando comparadaà carga direta (imposto sobre renda, propriedades e bens). Bolsonaro já defendeu publicamente mudanças que devem tornar o nosso sistema tributário ainda mais regressivo (como cria aliquota única de 20% para o imposto de renda), enquanto Haddad tem propostas que visam tornar o sistema mais justo (como criação de novas aliquotas para o IR, taxação de lucros e dividendos e imposto sobre herança progressivo). Ponto pro Haddad.

Obviamente propostas não são garantias de ações após o resultado das eleições, mas elas explicitam visões de mundo e alinhamentos e, com base nos dois aspectos acima, eu me alinho muito mais ao Haddad do que ao Bolsonaro em dois pontos que considero cruciais para o Brasil. Portanto, meu voto vai para o Haddad.

restaurante em Faro, Portugal: A venda

22 Oct 2018 / Leonardo Barichello

Fiz uma passagem rápida por Faro (Portugal) recentemente e tive a sorte de encontrar esse pequeno restaurante em uma das ruas estreitas da cidade: A venda.

O restaurante é pequeno e muito charmoso. Aparentemente mantido por um grupo de amigos, o clima é super agradável e aconchegante. A proposta segue a ideia de tapas, mas sem apelar para as opções espanholas de sempre, todos os itens são bem portugueses! A comida foi deliciosa, desde a seleção bem variada de queijos até os cortes de porco extremamente saborosos passando por opções vegetarianas como as almôndegas de lentilha.

Apesar do clima hipster, o restaurante não é pretencioso e nem exageradamente caro. Recomendo muito a visita!



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